domingo, 25 de setembro de 2011

POEMA ROMÂNTICO

Hoje uma cidade inteira
gritou o teu nome.
Nas avenidas desertas
os cães uivaram a tua ausência.

Ninguém saiu para comprar o pão,
na casa todos aguardavam
as notícias nos matutinos.

Bancos de praças
desapareceram
sob o escombro das folhas
nesse outono precipitado.

Nuvens descarregaram
um odor violento,
ouro e prata derreteram,
não mais se ouvia o som da música.

Uma saudade danada
partiu os potes da vizinha,
uma fúria de poeira
avisava que não mais vinhas.

Os pássaros fizeram à solo
sua rota secreta sobre o planeta.
-O amor não mora mais aqui.

Guardou-me um resto de chuva
com que enchíamos os nossos barquinhos.
Nada mais eu disse.

O amor é tão forte,
na falta dele
todas as palavras tornam-se
impossíveis.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

ANOTAÇÕES PARA UMA BIOGRAFIA DE SANGUE



Pensei estar vendo

algo mais que a minha

própria sombra,

uma luz difusa

que não se mostrava

mais que alguma deformidade

do meu interior.


Tentei acordá-los,

pedir-lhe para dizerem algo,

mas não, o sono abateu-os

com sua nuvem de chumbo

e eu aqui tão próximo

da morte deles.


Essa mordente angústia

foi o ápice de todo o tempo

durante o qual

as coisas da minha vida

e da minha morte

cumpriam as profecias.



Esse momento é o do espelho

em que sozinho me vejo

debruçado no abismo da

sepultura.


( Paraste de ouvir-me,

porque já não me falas?)

Senti todas as forças

convergirem sobre minhas costas,

O mundo virá sobre mim,´

secretamente

e da maneira mais sórdida.



Mas os poderes do céu

permanecem junto comigo

ainda que sob os espasmos

de um brutal silêncio.









quinta-feira, 21 de julho de 2011

FINE

Pede-me silêncio
este momento.
O Deus - emanuel partiu.
Vi restos de palavras
enrolarem-se sob a poeira
altíssima, fragores
e esquinas desnudadas.

A noite desceu em zoom
sobre o planeta,
Nada havia a me cobrir
pelo sidéreo espaço.
O irmão da minha alma
partiu.
Desertou,o amor do meu amor

sábado, 16 de julho de 2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O RINOCERONTE

Ficaram
os murmúrios e ressonâncias-
Dele,
sobram-lhe as patas,
pesa-lhe o monumento:
todos o respeitam.
-quem sabe de seu sentimento
comprimido por capa grossa
de pele e dobras?

Desejou ser um pássaro,
hoje mais pesado em sua solidão.

Sem saber que aí está
sua impossibilidade,
quis o vôo ( que se desenhou em seu pensamento),
para além do coração.